Os 7 factos da OPA (D.E pt.1)
«Da OPA lançada pelo Eng. Belmiro de Azevedo, seja qual for o desfecho, é possível extraír, dede já, seis factos.
Primeiro: A OPA significa que o Eng. Belmiro de Azevedo não acredita na competência da gestão do Dr. Horta e Costa. Porque ao oferecer mais do que o mercado, o Eng. Belmiro de Azevedo está simplesmente a dizer: faço mais e melhor. Pago para se irem embora. Com o meu trabalho vou obter melhor retorno. Quem conhece as culturas da Sonae e da Portugal Telecom, compreende porquê.
Acresce que o Dr. Horta e Costa pronunciou-se sobre a OPA antes de conhecer todos os elementos. Contudo, os gestores são empregados de todos os accionistas. Excepto, naturalmente, quando alguns têm 100% do capital.
Terceiro: Não devem restar dúvidas a ninguém que haverá (pelo menos uma) contra-OPA. Porque, para alguns accionistas, manter o controlo (directo ou indirecto) da PT, vai para além do negócio e vai até para além da imagem. Envolve mais do que isto.
Quarto: Ao obrigar alguns accionistas a fazerem uma contra-OPA o Eng. B. de Azevedo já os fez perder dinheiro. Porque (na melhor das hipóteses) têm de pagar para ficar na mesma, isto é, continuar a mandar.
Quinto:A OPA ilustra que há duas maneiras distintas de defender os centros de decisão nacionais. À custa (do dinheiro) dos ricos e à custa dos pobres. Eu explico. Quando um empresário compra e não vende está a defender os centros nacionais à sua custa. Quando um empresário compra e pede protecção da concorrência e do investimento estrangeiro, está a limitar o funcionamento do mercado e a liberdade do consumidor. Este paga mais (preço) e obtém menos (qualidade) do que devia e podia (se houvesse mais concorrência). Logo, o centro nacional é à custa do consumidor, isto é, dos 10 milhões de portugueses. Entre uma e outra maneira de defender os centros nacionais há um abismo. Na 1ª põe-se o dinheiro onde está a nossa boca. Na 2ª põe-se o dinheiro dos outros ao serviço dos nossos desígnios, sem mandato político para tal.
Sexto: Daqui a muitos anos quando se fizer a história económica das últimas décadas, esta OPA será identificada como o início da mentalidade pós-abrilista. O fim do proteccionismo entre os empregados e os empresários. O 1º fruto de um socialismo do século XIX. O 2º de um corporativismo do Estado Novo. A partir de agora, os direitos ganham-se todos os dias no mercado. A trabalhar. Quem é bom, não tem medo. A protecção é para os velhos e doentes. Não para aqueles que têm idade para trabalhar. Em vez de empresas com 100 anos, deve haver empresas com 100 vezes um ano.
Sétimo (e último): Da OPA (e do que se seguir) já resultaram uns beneficiados: alguns accionistas. Se os consumidores se vão juntar a este lote, ou não, depende exclusivamente da 1) Sensatez e 2) coragem das autoridades de supervisão e do governo.»
Cópia integral do Artigo de Jorge A. Vasconcellos e Sá - Professor da UTL, PhP pela Columbia University, retirado do Diário Económico, 27/02/06.
Este artigo prima pela ousadia de descobrir pela ponta do véu, uma parte da telenovela financeira dos últimos meses. O que pus em itálico são, para mim, as frases chavão dos últimos episódios.
Primeiro: A OPA significa que o Eng. Belmiro de Azevedo não acredita na competência da gestão do Dr. Horta e Costa. Porque ao oferecer mais do que o mercado, o Eng. Belmiro de Azevedo está simplesmente a dizer: faço mais e melhor. Pago para se irem embora. Com o meu trabalho vou obter melhor retorno. Quem conhece as culturas da Sonae e da Portugal Telecom, compreende porquê.
Acresce que o Dr. Horta e Costa pronunciou-se sobre a OPA antes de conhecer todos os elementos. Contudo, os gestores são empregados de todos os accionistas. Excepto, naturalmente, quando alguns têm 100% do capital.
Terceiro: Não devem restar dúvidas a ninguém que haverá (pelo menos uma) contra-OPA. Porque, para alguns accionistas, manter o controlo (directo ou indirecto) da PT, vai para além do negócio e vai até para além da imagem. Envolve mais do que isto.
Quarto: Ao obrigar alguns accionistas a fazerem uma contra-OPA o Eng. B. de Azevedo já os fez perder dinheiro. Porque (na melhor das hipóteses) têm de pagar para ficar na mesma, isto é, continuar a mandar.
Quinto:A OPA ilustra que há duas maneiras distintas de defender os centros de decisão nacionais. À custa (do dinheiro) dos ricos e à custa dos pobres. Eu explico. Quando um empresário compra e não vende está a defender os centros nacionais à sua custa. Quando um empresário compra e pede protecção da concorrência e do investimento estrangeiro, está a limitar o funcionamento do mercado e a liberdade do consumidor. Este paga mais (preço) e obtém menos (qualidade) do que devia e podia (se houvesse mais concorrência). Logo, o centro nacional é à custa do consumidor, isto é, dos 10 milhões de portugueses. Entre uma e outra maneira de defender os centros nacionais há um abismo. Na 1ª põe-se o dinheiro onde está a nossa boca. Na 2ª põe-se o dinheiro dos outros ao serviço dos nossos desígnios, sem mandato político para tal.
Sexto: Daqui a muitos anos quando se fizer a história económica das últimas décadas, esta OPA será identificada como o início da mentalidade pós-abrilista. O fim do proteccionismo entre os empregados e os empresários. O 1º fruto de um socialismo do século XIX. O 2º de um corporativismo do Estado Novo. A partir de agora, os direitos ganham-se todos os dias no mercado. A trabalhar. Quem é bom, não tem medo. A protecção é para os velhos e doentes. Não para aqueles que têm idade para trabalhar. Em vez de empresas com 100 anos, deve haver empresas com 100 vezes um ano.
Sétimo (e último): Da OPA (e do que se seguir) já resultaram uns beneficiados: alguns accionistas. Se os consumidores se vão juntar a este lote, ou não, depende exclusivamente da 1) Sensatez e 2) coragem das autoridades de supervisão e do governo.»
Cópia integral do Artigo de Jorge A. Vasconcellos e Sá - Professor da UTL, PhP pela Columbia University, retirado do Diário Económico, 27/02/06.
Este artigo prima pela ousadia de descobrir pela ponta do véu, uma parte da telenovela financeira dos últimos meses. O que pus em itálico são, para mim, as frases chavão dos últimos episódios.
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