Deixe-me dizer-lhe que isso não tem piada. Mas vou deixar o seu comentário exposto nem que seja para apresentar à comunidade científica a que pertenço a ignorância do povo português e, pelos vistos, a covardia presente nesse nick anónimo. Se tiver coragem assuma esse "cú, não menos magro, heterossexual, que por acaso tem toda a potencialidade de ser penetrado por pessoas de qualquer raça" no meu blog.
Deixa lá o rapaz em paz, parece-me um típico caso de uma juventude mal vivida, provavelmente a mãe deve ter fugido com uma amiga e o pai deve ter sido preso por violação de menores!
Como socióloga que sou fiquei logo curiosa com este blog e vim espreitar! Parabéns pelo espaço! Quanto à Marcha do Orgulho Gay, qual é o seu real objectivo? Sensibilizar para a igualdade de direitos entre homo e hetero, certo? É que eu, muito sinceramente, não acho que tenha esse efeito, muito pelo contrário. Aquilo que sai da Marcha é um desfile de Travestis, Drag Queens e todo o tipo de pessoas que quer chocar e dar nas vistas. Eu tenho amigos homossexuais e eles abominam este tipo de inventos! Recusam-se a participar. ;) E eu percebo o porquê. Como hetero, não homofóbica, considero que eventos desta natureza apenas acentuam mais os preconceitos de anormais como aquele que aqui deixou o comentário anónimo!
Well... tinha a intenção de escrever exactamente aquilo que Suspeita escreveu... portanto, a ver se com o tempo isto melhora ou não!... cada qual é livre desde que não prejudique a liberdade de outros! kiss
pois, suspeita e karl, vê-se que só vêem as marchas pela televisão, e os vossos amigos homo também. se tivessem estado numa perceberiam que são uma normal manifestação, embora não tão aborrecida como algumas manifestações sindicais. E não, as marchas em Portugal não têm a extravagância de outras lá fora. E não confundam uma forma de visibilização de realidades clandestinizadas socialmente com exibicionismo. A mim, pessoas heterossexuais "exibicionam-me" todos os dias a sua orientação sexual na cara como se não houvesse mais nada ou outra possibilidade no mundo.
Nunca vi uma única situação nas marchas em Portugal que possa ser considerada como exibicionista ou "chocante". Mas sei que normalmente as acusações de exibicionismo têm menos a ver com, por exemplo, expressões de afecto entre pessoas do mesmo sexo, e mais com a presença de transsexuais na marcha. Mas quanto a isso... as pessoas vão como são, e aquela manifestação existe precisamente para lutar pelo direito de nos sermos plenamente e sem repressão das nossas identidades - não se trata de exibicionismo, mas de mostrar uma realidade que é vivida todos os dias, e não apenas naquele dia. Não se podem, por outro lado, comparar as expressões de afecto homo e heterossexuais, pelo simples motivo de que umas são encaradas com naturalidade e as outras são, não raramente, perseguidas à pedrada. Gostaria que reflectissem num episódio esclarecedor que creio poder transpor-se para uma análise das marchas: quando há uns anos comecei a trabalhar no Jornal de Notícias fui acusado de exibicionismo por um colega de trabalho. Motivo? Havia um jantar da empresa em que os jornalistas foram convidados a levar os/as respectivos/as companheiros/as. Foi-me perguntado o nome da minha namorada e eu respondi não ter, mas que levaria o meu namorado. No dia seguinte, corria entre os meus colegas que eu era homossexual e vários deixaram de me falar. Argumento: pode ser homossexual à vontade, mas porque é que tem de trazer isso para aqui. Esta pequena história resume, para mim, a questão visibilidade/exibicionismo. Numa sociedade em que continuamos a ser educados para a realidade exclusiva da heterossexualidade, toda a gente é heterossexual até prova em contrário, e as outras realidades são inexistentes até serem afirmadas. Na verdade, com a suposta "naturalidade" do que é tido como única via "natural", a heterossexualidade é exibida e valorizada a todo o momento, mas essa nunca é qualificada de exibicionismo. Pensem: se há várias matizes na sexualidade humana, porque é que há 99% de referências hetero no espaço público e muito poucas para o resto (eu cresci até aos 20 anos sem saber que havia homossexualidade, porque ela era totalmente invisibilizada)? Porque na verdade, nesta sociedade, o simples facto de queremos viver enquanto homossexuais sem nos escondermos é já interpretado como exibicionismo - eu sei o que acontece se quiser dar a mão ao meu namorado numa rua da cidade, e não é bonito. É o que explica que o 25 de ABril tenha acabado com todas as "clandestinidades", menos aquela em que os homossexuais continuaram a viver as suas vidas (notem que a pena de prisão para homossexuais só é abolida por cá em 1982). E a maioria dos homossexuais não participa porque neste país as pessoas ainda têm vergonha do que são, ou medo das consequências de o assumirem (porque as há), e a comunidade homossexual continua a ser a que mais se auto-discrimina (assim se explica que o arraial pride à noite, esse sim com uma vertente de espectáculo, e portanto com muito mais episódios de podem considerar-se como exibicionistas, porque é uma festa, tenha 10 mil pessoas, enquanto a marcha só tem 500). A questão é que nós somos realmente alvo de perseguição quotidiana em todos os planos da vida e todos os dias. Ora, para reivindicarmos direitos, primeiro temos de existir, que ultrapassar a omissão sistemática, e para "existirmos", temos de ser visíveis no espaço público. E se assim, não fosse, se não houvesse marchas, estaríamos como há dez anos atrás, e nem eu nem vocês estaríamos a ter esta discussão, porque simplesmente, o assunto não seria um assunto. Nós somos confrontados todos os dias e com muita violência, pela discriminação. Mas compreendo que quem não a sente directamente não perceba que nós não andamos a confrontar ninguém, andamos a defender-nos e a fazer por sobreviver enquanto homossexuais assumidos, porque não é fácil, isso vos garanto, assumir uma sexualidade que é apenas parte do que somos, mas que é usada diariamente como arma de arremesso, como se resumisse o que somos, para nos desconsiderar como pessoas e cidadãos de pleno direito. Eu gostava que os heterossexuais simplesmente vivessem a sua vida, mas a verdade é que a maioria é preconceituosa e não nos deixa a nós viver a nossa. Não chegámos onde estamos hoje - movimento público, algumas reivindicações ganhas - por andarmos com paninhos quentes... Por outro lado, se bem que importante, a nossa preocupação imediata é menos a consciencialização da população heterossexual homofóbica, e mais a consciencialização da comunidade lgbt. Sobre o prejudicar da liberdade dos outros: a nossa é prejudicada todos os dias pela discriminação quotidiana, é isso que está mal. Mas por isso mesmo não espanta que formas de luta e afirmação de uma comunidade que ainda hoje vive uma espécie de "apartheid" legal e social sejam confundidas com exibicionismo, quer pela população heterossexual, quer por muitos homossexuais que não têm sequer consciência daquilo que os rodeia.
Sim Sérgio concordo com cada palavra e cada vírgula escrita por ti. A pior das Homofobias é a que está internalizada dentro das pessoas que se assumem com uma sexualidade que não hetero, e não percebem sequer que a estão a exercer sobre elas mesmas e sobre os seus pares a homofobia e o heterossexismo dominante.
Obrigada pelo teu comentário! Uma jóia no meu blog! ;) Beijinhos,
Sérgio, concordo com 95% daquilo que escreveste. Apenas acho que a forma como a mensagem é passada para a opinião pública é contraproducente. Não considero que a marcha de orgulho gay seja um atentado à minha liberdade, agora se estamos a falar de uma realidade que, como tu disseste, ainda não é socialmente aceite, não é a escandalizar, a chocar (mentes mais fechadas) que vão mudar a opinião das pessoas em geral. No que diz respeito aos meus amigos homossexuais, eles já tiveram em marchas de orgulho gay em Portugal e no estrangeiro e têm bastante consciência do que os rodeia. Quando os acusas do contrário, estás a usar de alguma presunção e arrogância. Porque carga de água estarás tu mais à frente que os outros? O gostar da Marcha de Orgulho Gay é sinal de open mind e esclarecimento total da forma de vivenciar a sexualidade? Se eles não concordam com esse tipo de manifestação, não estou a ver onde está o problema. Todos têm que pensar igual? Todos têm que achar que a Marcha de Orgulho Gay é o acontecimento chave para mudar a mentalidade das pessoas? Se tu defendes tanto a liberdade, tens que aceitar que haja pessoas, da mesma orientação sexual que tu, que não se identifiquem e pensem de forma diferente.
Repito aqui o que disse no comentário do meu post posterior a este:
Quanto à ambiguidade de sentimentos auferidos pela população em geral quando observam de fora a marcha, o que te posso dizer é que claramente irá sempre haver factores de resistência à mudança. Tudo o que é estranho aos comportamentos ditos “normais” (com todas as aspas que se podem por nesta palavra), que foge ao que está instituído causa sempre algum tipo de resistência em certos segmentos da sociedade. Não podemos de forma alguma esperar que esta manifestação por uma causa toque, de maneira igual, todos os grupos sociais. No entanto, podemos esperar que à medida que vai sendo mais regular eventos LGBT, mais estes serão “normalizados”, até que deixarão de ser novidades, freak shows or whatever people call it. Uma ressalva da maior importância que tenho de fazer enquanto profissional é, claramente, dizer que a homossexualidade não é um desvio. And that’s a statement. Posso ter explicado de maneira incompleta no outro post, por isso reformulo rapidamente – não existe o normal. Existem pessoas que seguem mais ou menos o que está instituído, seguem normas, isso não faz delas normais (em tom pessoal, diria que essas é que são freaks and they freak the hell out of me!). A homossexualidade, tal como outras sexualidades se as quisermos segmentar por facilidade analítica, sempre existiram e já foram norma – gregos, romanos e como por aí se sabe de Sócrates e Platão e por aí fora…Interessante será perceber porque é que, de um momento para o outro, deixou de o ser. Portanto, a diferença pauta-se na relação inter-individual e, também nesse sentido, as experiências vividas são diferentes segundo a rede de relacionamentos de um indivíduo. Quanto a isso estamos de acordo. Agora, o que temos de pensar é o que acontece com mais regularidade. Lá porque nem todos sofrem estigmatização sobre a sua sexualidade, não quer dizer que isso deixe de ser um problema social (e sociológico, neste caso) – como tal deve ser debatido, estudado e devemos tentar arranjar uma solução para o problema da LGBTfobia, vulgo, homofobia (embora estes conceitos não sejam pares, o segundo é mais conhecido, embora mais restrito). Crendo já ter respondido por portas travessas à tua pergunta, e cito: “Se a heterossexualidade é “normal” e “natural” como somos levados a acreditar desde que nascemos por todas as instituições sociais, porque é que as mesmas despendem tanta energia e empenho em assegura-la?”, faço aqui um apanhado – a heterossexualidade não é normal, é a norma. É considerada natural pelo sentido biologicista da relação sexual e dos órgãos inerentes a ela no seu sentido mais restrito. As “instituições sociais” não despendem energia e empenho a assegurá-la, ou melhor, despendem mas não de uma forma tão organizada e racional. Apenas são resistentes à mudança. Há uma data de factores de contingência, como no caso português, o estado autoritário de Salazar e a forte presença da igreja católica, que constringem grande parte da população. Há grupos na igreja para demoverem os homossexuais de o serem porque é pecado. Há pais que espancam os filhos porque tal vai contra a moral e bons costumes, etc. És sempre bem-vinda ao meu blog.
10 Comments:
Deixe-me dizer-lhe que isso não tem piada. Mas vou deixar o seu comentário exposto nem que seja para apresentar à comunidade científica a que pertenço a ignorância do povo português e, pelos vistos, a covardia presente nesse nick anónimo. Se tiver coragem assuma esse "cú, não menos magro, heterossexual, que por acaso tem toda a potencialidade de ser penetrado por pessoas de qualquer raça" no meu blog.
Até mais!
Ana, Socióloga
Deixa lá o rapaz em paz, parece-me um típico caso de uma juventude mal vivida, provavelmente a mãe deve ter fugido com uma amiga e o pai deve ter sido preso por violação de menores!
Amor, a homofobia vem dos dois sexos... Não penses que é obrigatoriamente um homem.... Se calhar não é! Não é verdade?
Ana
Como socióloga que sou fiquei logo curiosa com este blog e vim espreitar! Parabéns pelo espaço! Quanto à Marcha do Orgulho Gay, qual é o seu real objectivo? Sensibilizar para a igualdade de direitos entre homo e hetero, certo? É que eu, muito sinceramente, não acho que tenha esse efeito, muito pelo contrário. Aquilo que sai da Marcha é um desfile de Travestis, Drag Queens e todo o tipo de pessoas que quer chocar e dar nas vistas. Eu tenho amigos homossexuais e eles abominam este tipo de inventos! Recusam-se a participar. ;) E eu percebo o porquê. Como hetero, não homofóbica, considero que eventos desta natureza apenas acentuam mais os preconceitos de anormais como aquele que aqui deixou o comentário anónimo!
Well... tinha a intenção de escrever exactamente aquilo que Suspeita escreveu... portanto, a ver se com o tempo isto melhora ou não!... cada qual é livre desde que não prejudique a liberdade de outros!
kiss
pois, suspeita e karl, vê-se que só vêem as marchas pela televisão, e os vossos amigos homo também. se tivessem estado numa perceberiam que são uma normal manifestação, embora não tão aborrecida como algumas manifestações sindicais. E não, as marchas em Portugal não têm a extravagância de outras lá fora. E não confundam uma forma de visibilização de realidades clandestinizadas socialmente com exibicionismo. A mim, pessoas heterossexuais "exibicionam-me" todos os dias a sua orientação sexual na cara como se não houvesse mais nada ou outra possibilidade no mundo.
Nunca vi uma única situação nas marchas em Portugal que possa ser considerada como exibicionista ou "chocante". Mas sei que normalmente as acusações de exibicionismo têm menos a ver com, por exemplo, expressões de afecto entre pessoas do mesmo sexo, e mais com a presença de transsexuais na marcha. Mas quanto a isso... as pessoas vão como são, e aquela manifestação existe precisamente para lutar pelo direito de nos sermos plenamente e sem repressão das nossas identidades - não se trata de exibicionismo, mas de mostrar uma realidade que é vivida todos os dias, e não apenas naquele dia.
Não se podem, por outro lado, comparar as expressões de afecto homo e heterossexuais, pelo simples motivo de que umas são encaradas com naturalidade e as outras são, não raramente, perseguidas à pedrada. Gostaria que reflectissem num episódio esclarecedor que creio poder transpor-se para uma análise das marchas: quando há uns anos comecei a trabalhar no Jornal de Notícias fui acusado de exibicionismo por um colega de trabalho. Motivo? Havia um jantar da empresa em que os jornalistas foram convidados a levar os/as respectivos/as companheiros/as. Foi-me perguntado o nome da minha namorada e eu respondi não ter, mas que levaria o meu namorado. No dia seguinte, corria entre os meus colegas que eu era homossexual e vários deixaram de me falar. Argumento: pode ser homossexual à vontade, mas porque é que tem de trazer isso para aqui.
Esta pequena história resume, para mim, a questão visibilidade/exibicionismo. Numa sociedade em que continuamos a ser educados para a realidade exclusiva da heterossexualidade, toda a gente é heterossexual até prova em contrário, e as outras realidades são inexistentes até serem afirmadas. Na verdade, com a suposta "naturalidade" do que é tido como única via "natural", a heterossexualidade é exibida e valorizada a todo o momento, mas essa nunca é qualificada de exibicionismo. Pensem: se há várias matizes na sexualidade humana, porque é que há 99% de referências hetero no espaço público e muito poucas para o resto (eu cresci até aos 20 anos sem saber que havia homossexualidade, porque ela era totalmente invisibilizada)? Porque na verdade, nesta sociedade, o simples facto de queremos viver enquanto homossexuais sem nos escondermos é já interpretado como exibicionismo - eu sei o que acontece se quiser dar a mão ao meu namorado numa rua da cidade, e não é bonito. É o que explica que o 25 de ABril tenha acabado com todas as "clandestinidades", menos aquela em que os homossexuais continuaram a viver as suas vidas (notem que a pena de prisão para homossexuais só é abolida por cá em 1982). E a maioria dos homossexuais não participa porque neste país as pessoas ainda têm vergonha do que são, ou medo das consequências de o assumirem (porque as há), e a comunidade homossexual continua a ser a que mais se auto-discrimina (assim se explica que o arraial pride à noite, esse sim com uma vertente de espectáculo, e portanto com muito mais episódios de podem considerar-se como exibicionistas, porque é uma festa, tenha 10 mil pessoas, enquanto a marcha só tem 500). A questão é que nós somos realmente alvo de perseguição quotidiana em todos os planos da vida e todos os dias. Ora, para reivindicarmos direitos, primeiro temos de existir, que ultrapassar a omissão sistemática, e para "existirmos", temos de ser visíveis no espaço público. E se assim, não fosse, se não houvesse marchas, estaríamos como há dez anos atrás, e nem eu nem vocês estaríamos a ter esta discussão, porque simplesmente, o assunto não seria um assunto.
Nós somos confrontados todos os dias e com muita violência, pela discriminação. Mas compreendo que quem não a sente directamente não perceba que nós não andamos a confrontar ninguém, andamos a defender-nos e a fazer por sobreviver enquanto homossexuais assumidos, porque não é fácil, isso vos garanto, assumir uma sexualidade que é apenas parte do que somos, mas que é usada diariamente como arma de arremesso, como se resumisse o que somos, para nos desconsiderar como pessoas e cidadãos de pleno direito. Eu gostava que os heterossexuais simplesmente vivessem a sua vida, mas a verdade é que a maioria é preconceituosa e não nos deixa a nós viver a nossa. Não chegámos onde estamos hoje - movimento público, algumas reivindicações ganhas - por andarmos com paninhos quentes... Por outro lado, se bem que importante, a nossa preocupação imediata é menos a consciencialização da população heterossexual homofóbica, e mais a consciencialização da comunidade lgbt.
Sobre o prejudicar da liberdade dos outros: a nossa é prejudicada todos os dias pela discriminação quotidiana, é isso que está mal. Mas por isso mesmo não espanta que formas de luta e afirmação de uma comunidade que ainda hoje vive uma espécie de "apartheid" legal e social sejam confundidas com exibicionismo, quer pela população heterossexual, quer por muitos homossexuais que não têm sequer consciência daquilo que os rodeia.
Sim Sérgio concordo com cada palavra e cada vírgula escrita por ti.
A pior das Homofobias é a que está internalizada dentro das pessoas que se assumem com uma sexualidade que não hetero, e não percebem sequer que a estão a exercer sobre elas mesmas e sobre os seus pares a homofobia e o heterossexismo dominante.
Obrigada pelo teu comentário! Uma jóia no meu blog! ;)
Beijinhos,
Ana
Vai-te tratar Anonymous. A profunda insatisfação pessoal Sobretudo sexual) e amargura que o teu comentário deixa perceber, dão pena...
Sérgio, concordo com 95% daquilo que escreveste. Apenas acho que a forma como a mensagem é passada para a opinião pública é contraproducente. Não considero que a marcha de orgulho gay seja um atentado à minha liberdade, agora se estamos a falar de uma realidade que, como tu disseste, ainda não é socialmente aceite, não é a escandalizar, a chocar (mentes mais fechadas) que vão mudar a opinião das pessoas em geral. No que diz respeito aos meus amigos homossexuais, eles já tiveram em marchas de orgulho gay em Portugal e no estrangeiro e têm bastante consciência do que os rodeia. Quando os acusas do contrário, estás a usar de alguma presunção e arrogância. Porque carga de água estarás tu mais à frente que os outros? O gostar da Marcha de Orgulho Gay é sinal de open mind e esclarecimento total da forma de vivenciar a sexualidade? Se eles não concordam com esse tipo de manifestação, não estou a ver onde está o problema. Todos têm que pensar igual? Todos têm que achar que a Marcha de Orgulho Gay é o acontecimento chave para mudar a mentalidade das pessoas? Se tu defendes tanto a liberdade, tens que aceitar que haja pessoas, da mesma orientação sexual que tu, que não se identifiquem e pensem de forma diferente.
Repito aqui o que disse no comentário do meu post posterior a este:
Quanto à ambiguidade de sentimentos auferidos pela população em geral quando observam de fora a marcha, o que te posso dizer é que claramente irá sempre haver factores de resistência à mudança. Tudo o que é estranho aos comportamentos ditos “normais” (com todas as aspas que se podem por nesta palavra), que foge ao que está instituído causa sempre algum tipo de resistência em certos segmentos da sociedade. Não podemos de forma alguma esperar que esta manifestação por uma causa toque, de maneira igual, todos os grupos sociais. No entanto, podemos esperar que à medida que vai sendo mais regular eventos LGBT, mais estes serão “normalizados”, até que deixarão de ser novidades, freak shows or whatever people call it.
Uma ressalva da maior importância que tenho de fazer enquanto profissional é, claramente, dizer que a homossexualidade não é um desvio. And that’s a statement. Posso ter explicado de maneira incompleta no outro post, por isso reformulo rapidamente – não existe o normal. Existem pessoas que seguem mais ou menos o que está instituído, seguem normas, isso não faz delas normais (em tom pessoal, diria que essas é que são freaks and they freak the hell out of me!). A homossexualidade, tal como outras sexualidades se as quisermos segmentar por facilidade analítica, sempre existiram e já foram norma – gregos, romanos e como por aí se sabe de Sócrates e Platão e por aí fora…Interessante será perceber porque é que, de um momento para o outro, deixou de o ser. Portanto, a diferença pauta-se na relação inter-individual e, também nesse sentido, as experiências vividas são diferentes segundo a rede de relacionamentos de um indivíduo. Quanto a isso estamos de acordo. Agora, o que temos de pensar é o que acontece com mais regularidade. Lá porque nem todos sofrem estigmatização sobre a sua sexualidade, não quer dizer que isso deixe de ser um problema social (e sociológico, neste caso) – como tal deve ser debatido, estudado e devemos tentar arranjar uma solução para o problema da LGBTfobia, vulgo, homofobia (embora estes conceitos não sejam pares, o segundo é mais conhecido, embora mais restrito).
Crendo já ter respondido por portas travessas à tua pergunta, e cito: “Se a heterossexualidade é “normal” e “natural” como somos levados a acreditar desde que nascemos por todas as instituições sociais, porque é que as mesmas despendem tanta energia e empenho em assegura-la?”, faço aqui um apanhado – a heterossexualidade não é normal, é a norma. É considerada natural pelo sentido biologicista da relação sexual e dos órgãos inerentes a ela no seu sentido mais restrito. As “instituições sociais” não despendem energia e empenho a assegurá-la, ou melhor, despendem mas não de uma forma tão organizada e racional. Apenas são resistentes à mudança. Há uma data de factores de contingência, como no caso português, o estado autoritário de Salazar e a forte presença da igreja católica, que constringem grande parte da população. Há grupos na igreja para demoverem os homossexuais de o serem porque é pecado. Há pais que espancam os filhos porque tal vai contra a moral e bons costumes, etc.
És sempre bem-vinda ao meu blog.
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