Sociologia & Política

"We don't need no thought control" Pink Floyd

Sunday, March 12, 2006

Encontro sobre partilha de papéis na familia (2)

Escrevo aqui as principais conclusões e considerações que retirei após ter assistido a este encontro, iniciativa da Câmara Municipal do Seixal. Queria antes de mais, deixar o meu grande apreço para com o presidente, que se juntou na luta pela igualdade de direitos na diferença, e que muitas mais iniciativas destas decorram um pouco por todo o país, seguindo-lhe o exemplo.


A constituição prima por cobrir muitos dos âmbitos onde há efectivamente desigualdades de género. No entanto sabemos, por fontes como o INE, estudos da UMAR, etc, que, a título de exemplo, as mulheres ganham cerca de 15% menos que os homens na mesma posição. Sabemos o quão difícil é a atribuição de cargos de grande responsabilidade a uma mulher. É de nosso conhecimento que, se uma mulher engravida e tira licença de parto, há uma grande probabilidade do contrato laboral não ser renovado.
Assim, para uma mulher conseguir atingir as suas metas profissionais tem de optar, muitas vezes, por adiar a constituição de uma família, a opção de ter filhos, etc. Isto traduz-se numa redução da natalidade (1). Será importante aqui perceber de que maneira isto nos afecta a todos. Uma menor natalidade ou, como no caso da conjuntura Portuguesa, uma natalidade extremamente baixa e uma esperança média de vida alta (país envelhecido), afecta o desenvolvimento sustentável, não só da economia no geral mas também da Segurança Social. Caminhamos para uma grande dificuldade económica neste sector que, como tão bem o actual ministro da segurança social afirma, sem ajudas privadas, dificilmente concertaremos este buraco. É claro que estas medidas vêm tarde, este assunto deveria ter sido previsto há muito tempo atrás. Uma solução a médio prazo, na continuidade das já avançadas pelo governo, passa por uma flexibilidade horária, não só para mães, mas também para os pais, passa pelo modelo americano empresa em parceria com creches + horário profissional conciliado com o horário escolar. O objectivo é criar a igualdade total entre ambos os sexos, e não dar facilidades ao sector laboral feminino. Considero que tanto pode a mãe como o pai cuidar dos filhos, não sendo essa tarefa essencialmente feminina. É necessário acabar com um sistema político e laboral, não só sexista como Heterossexista. Outra grande medida passa por uma formação no sentido da igualdade e tolerância, e essa formação deve começar no 2º ciclo (na minha opinião), numa cadeira específica que reunisse formação cívica, educação sexual e prevenção civil.
Claro que isto são apenas algumas considerações, podem estar certas ou erradas, mas acima de tudo, é o que eu penso.

1. É claro que a conjuntura económica tem muito que ver com a redução da natalidade, o que não iliba de todo o facto social enunciado acima.

2 Comments:

Blogger Shima said...

Primeiro que tudo, como sabes eu fui criada pelo meu pai, e se a minha mãe fosse barraqueira e tivesse avançado para divorcio antes dos meus 12 anos ela teria ganho pelo simples facto de ser mãe. Em lutas pelo poder paternal, a mãe só perde a custódia das crianças se se _provar_ alcoolismo, toxicodependencia, prostituíção ou outros casos extremos; ou seja, a minha mãe, que só se pode intitular de mãe porque me deu à luz, teria ficado com a minha guarda, sem qualquer "qualificação" para ser pai.
Relativamente à questão do emprego, não é apenas a questão do contrato laboral não ser renovado, é também a questão do "tem filhos?" - "sim tenho" e os patroes ficam logo a olhar de lado porque assumem que a senhora vai ter de sair pra ir ao hospital buscar o puto que partiu a cabeça ou coisa parecida, ou seja, a sua dedicação não vai ser total ao emprego; o que nao é necessariamente verdade.
Relativamente à segurança social... girl, eu já não conto ter reforma. Assim que começar a trabalhar começo com contas poupança, tenho consciencia que não dá para todos e se mal vai dar para a geração dos nossos pais, quanto mais para nós...

3/13/2006 12:23 am  
Anonymous Anonymous said...

Concordo com o que foi dito, hoje em dia a mulher ainda é inferiorizada no contexto social actual. A mulher merece licença de parto, é algo natural, é algo que os patrões têm que aprender a não discriminar, porque é tão importante como comer ou respirar. E é de facto urgente inverter a natalidade cá em Portugal, caso contrário, trabalho uma vida inteira para morrer à fome quando for velho. A economia não cresce enquanto os investimentos estrangeiros não cá aterrarem. Claro que nunca é fácil dada a difícil localização, longe dos grandes polos economicos da Europa, é de facto complicado convencer um estrangeiro a investir cá. Isso agora compete ao governo!! Parceria do governo com a Microsoft é bem vinda... bem como o Polo do MIT...

3/15/2006 4:29 pm  

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