Sociologia & Política

"We don't need no thought control" Pink Floyd

Saturday, March 25, 2006

Pensamento Renascentista

Sem grande coisa a acrescentar, gostaria de recuperar algumas passagens de Thomas More(1478 - 1535) no seu livro Utopia e de Pico Della Mirandola (1463 - 1494) na sua obra Oration: on the Dignity of Man. Obviamente, ambos estes homens eram Renascentistas, o primeiro é inglês e o segundo italiano.

Thomas More:
"Most princes apply themselves to the arts of war [...] instead of to the good arts of peace. They are generally more set on acquiring new kingdoms by hook or crook than on governing well those they already have [...]"
"They think inexperienced men are not reliable, and they sometimes hunt out pretexts for war, just so they may have trained soldiers; hence men's throats are cut for no reason."
"You never have war unless you chose it, and peace is always more to be considered than war."
"I think that nothing in the world that fortune can bestow can be put on a par with a human life." "Suppose I said that people choose a king for their own sake, not his, so that by his efforts and troubles they may life in comfort and safety?"
"[...] wherever you have private property, and money is the measure of all things, it is hardly ever possible for a commonwealth to be just or prosperous [...]"

Para quem quiser ler este livro, que eu recomendo vivamente, sem gastar dinheiro, deixo aqui o link para o livro integral online: http://www.d-holliday.com/tmore/utopia.htm .Sinceramente, penso que todas as falhas que ele aponta se mantêm, apenas sob a forma de República em vez de Monarquia. O modelo "ideal" está descrito no segundo livro da obra, depois de no primeiro terem sido expostas os principais problemas.


Giovanni Francesco Pico Della Mirandola:
"(man)you, restrained by no limitations, of your own free will in whose hand I (God) have placed you, shall appoint your own nature [...] freely choosing and for your own honour, as it were the moulder and maker of yourself, you may form yourself in what pattern you choose. You will be able to degenerate into the lowest ranks, which are those of the brutes. Through the judgment of your soul you will be able to be reborn into the highest ranks, those of the divine."
"[...] man, to whom is given whatever he chooses to have, to be what he wills."
"[..] restraining the assault of our base desires through moral science, scattering the darkness throught the dialectic of reason, purifying the, as it were, filth of ignorance and the vices, let us purge our soul so that its passions may not rage furiously and at random or its reason from lack of foresight deviate from rectitude [...] let us cleanse ourselves in the living river of moral philosophy."
"What God the Most High longs for most of all [...] he will reply without a doubt that is is peace."
"Let us wish peace for our friends, for our age..."

Bem, a partir destas citações tenho 1 pergunta a fazer para quem ler: Se o Homem tem em si a capacidade de ser quem escolhe ser, quem escolherias tu ser?
Tendo em conta que a responsabilidade pelos nossos actos é completamente nossa, já que estamos privilegiados com livre arbítrio, manter-se-á como sendo culpa da igreja tudo o que se passa no médio oriente? (ok, esta é mais uma pergunta retórica) Não diminuo de modo algum o poder de persuasão que as igrejas têm sobre as massas (sim, IGREJAS e não RELIGIÕES, que do meu ponto de vista são coisas muito distintas), nem desvalorizo que "o forte das massas é a ignorância", mas o livre arbítrio mantém-se, cada um faz o que quer e a responsabilidade pelas suas acções é acima de tudo sua. Deixo aqui também esta obra versão online para quem a quiser consultar, é um texto curto, mas que vale a pena. http://www.lespinter.com/PC/john/john/dignity.html

Como nota final gostaria de deixar esclarecido que as minhas traduções não correspondem a 100% com as traduções que encontrei online, logo, é provavel que algumas das citações não estejam bem iguais.

2 Comments:

Anonymous Anonymous said...

Penso que o problema nunca foi possivel realmente garantir que somos livres.
Dentro duma prisão ninguém é culpado, tal como quem fez uma lei errada que prendeu ou matou pessoas dificilmente se sentirá culpado por isso. É muito mais fácil "viver" passado a responsabilidade para um deus ou para um sistema ou para outra coisa qualquer, especialmente se isso nos já jeito. Se falares com um médico ele nunca te dirá que tudo o que conseguiu na vida foi por culpa do sistema.

Até pode ser que sejamos realmente livres e que o problema seja a nossa incapacidade ou a nossa preguiça em nos assumirmos como tal. Mas também pode ser que o nosso universo nao passe duma célula dum corpo tal como as nossas fazem parte do nosso, e que aí nós nao passássemos de um pequeno plasto a fazer uma qualquer funçao pré-definida.

3/26/2006 5:29 pm  
Blogger Ikkuna said...

Ora muito bem Shima, fazes uma distinção entre religião e igreja que é muito importante no ponto de vista que pretendo argumentar (em suma...) A religião é uma instituição sustentada pelas crenças humanas e o que cria uma igreja não são os tijolos, cimento e arquitectura mas sim as pessoas que a integram e que partilham crenças, fé, ideologias e práticas comuns. A religião, enquanto instituição é uma das características culturais implicada directamente com os valores e com o desenvolvimento político de cada país. Ora, fazendo nós parte de uma estrutura estruturada predisposta a funcionar como estrutura estruturante, i.e. nós interiorizamos uma matriz de conhecimentos sociais que nos torna socialmente hábeis no nosso contexto de origem e reproduzimos essa mesma matriz, recriando-a por nossa deliberação.
Ou seja... Independentemente da tua deliberação, tu só te constrois face ao outro e face às matrizes culturais que recebes e segundo os recursos (económicos, culturais, simbólicos e sociais) que tu podes mobilizar.

É sempre bom poder reflectir um pouco. Para mais informação sobre esta temática podem ir à minha dissertação "Quão diferente é o outro?" também publicada neste blog. É facílima de ler e perceberiam melhor esta temática do ponto de vista sociológico.


Mr. Moon, apareça por cá mais vezes, sim? ;)

****

3/27/2006 9:07 pm  

Post a Comment

<< Home